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A Gigante Sueca: A História da Volvo e seu Reinado no Graneleiro Brasileiro

Quando o assunto é transporte de carga pesada, poucas marcas despertam tanto respeito e admiração nas estradas brasileiras quanto a Volvo. Sinônimo de segurança e robustez, a montadora não apenas conquistou o asfalto, mas se tornou a "queridinha" do agronegócio.


Neste artigo, vamos acelerar pela história da marca, desde o frio da Escandinávia até o calor das safras brasileiras, e descobrir por que o Volvo se tornou o rei do grão.



🇸🇪 A Origem: O DNA Viking

A história começa longe daqui, em Gotemburgo, na Suécia, em 1927. Fundada por Assar Gabrielsson e Gustaf Larson, a Volvo nasceu com uma premissa que se tornaria seu slogan eterno: Segurança.


Diferente de outras marcas que focavam apenas em potência, a Volvo projetava veículos para suportar as duras estradas suecas e o clima gélido, priorizando a vida do motorista. Essa engenharia de sobrevivência criou caminhões "indestrutíveis", uma característica que cairia como uma luva para o Brasil décadas depois.


🇧🇷 A Consolidação no Brasil: O Nascimento em Curitiba


A Volvo chegou oficialmente ao Brasil no final da década de 70, em um período onde o mercado era dominado por outras marcas europeias tradicionais.


  • 1979: A marca inaugura sua fábrica na Cidade Industrial de Curitiba (PR).

  • O Primeiro Brasileiro: O primeiro caminhão a sair da linha de montagem foi o N10. Com seu motor de 260 cv, ele trouxe inovações para a época, como uma cabine muito mais confortável e suspensão eficiente.


A estratégia da Volvo foi inteligente: começar com caminhões "bicudos" (com capô), que eram a preferência nacional na época, para ganhar a confiança do estradeiro, antes de introduzir massivamente os "cara-chata".


Curiosidade: O Brasil não é apenas um mercado para a Volvo; é uma de suas principais bases globais. Muitos desenvolvimentos tecnológicos testados aqui são exportados para o mundo.

🌾 O Volvo no Mercado Graneleiro


O transporte de grãos (soja, milho, trigo) exige muito do caminhão. É preciso torque para arrastar bitrens e rodotrens carregados, chassi robusto para aguentar estradas de terra nas fazendas e, acima de tudo, economia de combustível para tornar o frete rentável.


Foi aqui que a Volvo brilhou. A marca entendeu que o "graneleiro" precisava de uma máquina que não quebrasse no meio da safra.


Os Modelos de Sucesso na Rota do Grão


Vamos relembrar e destacar as lendas que fizeram história no escoamento da safra brasileira:


1. A Linha N (N10 e N12)


Os pioneiros. O N12, lançado nos anos 80 com intercooler, virou sonho de consumo. Era forte, simples de manter e aguentava o tranco das estradas precárias do Mato Grosso e Paraná daquela época.


2. A Linha NL (NL10 e NL12)


A evolução natural nos anos 90. Com a cabine "EDC" (mais aerodinâmica e moderna), o NL12 Gold, por exemplo, foi um marco de potência, chegando a 410 cv, o que permitia puxar carretas maiores com mais velocidade média.


3. O NH12 (O Último Bicudo)


Para os saudosistas, o NH12 (lançado em 1999) é uma lenda. Ele unia a cabine moderna da linha FH com o estilo clássico "bicudo". Foi muito usado no grão, mas a legislação de comprimento (que privilegia os cara-chata para levar carretas maiores) acabou aposentando esse modelo.


4. A Revolução FH (O Rei da Soja)


Em 1994, a Volvo importou o primeiro FH12, e em 1998 nacionalizou a produção. Foi uma revolução. Cabine frontal (cara-chata), motor eletrônico e um conforto de automóvel.


No mercado graneleiro atual, o destaque absoluto é o:


🏆 O Grande Campeão: Volvo FH 540


Se você for a qualquer porto ou terminal de cargas hoje, verá um mar de FH 540.


  • Por que ele domina? É o caminhão ideal para composições de 74 toneladas (Rodotrem de 9 eixos).

  • Eficiência: O motor de 13 litros e 540 cavalos, aliado à caixa de câmbio I-Shift (automatizada), entrega a média de consumo que o frotista e o autônomo buscam.

  • Vendas: Por vários anos consecutivos, o FH 540 tem sido o caminhão mais vendido do Brasil, superando até modelos leves e médios.


Da robustez mecânica do N10 à tecnologia embarcada do novo FH Euro 6, a Volvo construiu sua reputação no Brasil ouvindo quem vive na estrada. Para o mercado graneleiro, onde cada saca conta e cada litro de diesel importa, a marca sueca entregou exatamente o que prometeu lá em 1927: qualidade e confiabilidade.


Ter um Volvo na safra não é apenas ter um caminhão; é ter a certeza de que a carga vai chegar ao destino.


Saulo Antunes é formado em Direito possui MBA em Gestão Empresarial com ênfase em logística e finanças, concluiu com sucesso o curso de especialização Estratégias de Logística. Um grande entusiasta de caminhões e sistemas de transportes.


 
 
 

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